Engenheiro agrônomo e botânico taxonomista, Luiz Wilson Lima Verde é um homem da Ciência. Mas nem a objetividade e isenção da Ciência abalam sua forma apaixonada de encarar as orquídeas. Ligado ao Departamento de Biologia do Centro de Ciências da Universidade Federal do Ceará, ele se dedica aos estudos florístico-fitogenéticos dos vários ecossistemas cearenses, identificação taxonômica das espécies constantes desses ecossistemas (incluindo orquídeas e bromélias) e estudos sobre as abelhas nativas sem ferrão do Ceará, no que se refere às espécies por ecossistemas e suas relações com a flora local. Atual Diretor Técnico-Científico da ACEO, Lima Verde faz, nesta entrevista, um breve histórico da orquidofilia no Ceará e fala de seu trabalho como orquidólogo.
ACEO – Você, que é testemunha e personagem do movimento orquidófilo no Ceará, há muitos anos, poderia contar como tudo começou?
Luiz Wilson Lima Verde – O cultivo de orquídeas no Ceará remonta, pelo que sabemos, às primeiras décadas do século passado. Em Guaramiranga, as famílias Linhares e Matos Brito cultivaram-nas, inclusive em ripados. Em Maranguape, área serrana, o pai do nosso companheiro Pompeu de Souza Brasil também cultivou a nossa Cattleya labiata, mais ou menos no mesmo período. Supomos que nas décadas seguintes uma ou outra pessoa, em Fortaleza, também se dedicou ao cultivo dessa espécie. Com o surgimento dos jardins de comercialização de plantas ornamentais, no final da década de 60 para início de 70, deram-se os primeiros contatos entre os amantes das orquídeas, embora esses contatos também se estabelecessem entre pessoas que já se conheciam, como foi o caso do Waldir, o Sr. Gerardo (seu sogro) e eu. O certo é que em 1977 já havia um número maior de entusiastas, que se conectavam nesse sentido e o passo seguinte foi a criação da Sociedade Cearense de Orquidófilos (SCO).
As entrevistas da ACEO 08: Apolônia Grade – lições de amor às plantas e respeito à natureza
A bióloga e engenheira ambiental Apolônia Grade, de Alta Floresta, Mato Grosso, é a entrevistada do Boletim ACEO de fevereiro (2008). Em conversa com Vera Coelho, ela fala sobre como cuida de suas plantas, na Chácara Recanto das Orquídeas, um verdadeiro templo da devoção à natureza.
ACEO – Morar num “paraíso” é desejo de muitos e privilégio de poucos. Conte-nos como o seu paraíso aconteceu.
Apolônia Grade – Eu costumava brincar, dizendo que enquanto os outros se preocupam em garantir o paraíso na próxima vida, eu busquei o meu agora. Mas Hoever me proibiu, dizendo: “Olha, o Paizão lá em cima pode levar isso a sério, e aí…” Parei com a brincadeira! O paraíso não veio de graça, foi construído dia-a-dia, com muito trabalho, muito suor. Quem conheceu a chácara antes da nossa chegada sabe testemunhar o quanto de trabalho foi necessário para que a transformação acontecesse. O importante é que aconteceu, e toda a família curte muito, junto, trabalha junto, e o que de melhor temos aqui é a harmonia.
As entrevistas da ACEO 07: José Francisco Vannucchi – nas listas e associações, uma grande roda de amigos
Na última edição de 2007, a de nº 8, o Boletim ACEO entrevistou José Francisco Vannucchi, vice-presidente do Clube dos Amigos da Orquídea de Vinhedo-Valinhos (CAO-ViVa) e moderador de uma lista de discussão que já reúne mais de 1.600 associados. JF, como é conhecido, falou de sua paixão pelas orquídeas e do entusiasmo pelas associações orquidófilas.
ACEO – Como despertou seu amor pelas orquídeas?
José Francisco Vannucchi – Desde criança gosto de plantas em geral. Minha mãe sempre teve algumas orquídeas, mas ainda não havia em mim o interesse especial por elas. Em 1970, em Catanduva, fui conhecer D. Helena Trica, presidente da associação local, e seu orquidário. Saí encantado e com uma porção de plantas. D. Helena ficou entusiasmada com o novo afilhado e me inscreveu como associado do Círculo Rioclarense de Orquidófilos, para que eu pudesse receber o Boletim do CRO. Em 1971, estando na região de Rio Claro (SP), fui assistir a uma reunião do Círculo Rio-Clarense, quando conheci pessoalmente o Gilberto Dória do Valle, o Prof. Francisco Anaruma e o meu querido amigo Evaldo Wenzel. Em 1972, em São Paulo, ingressei no Círculo Paulista de Orquidófilos, entidade da qual cheguei a ser presidente. Foi no CPO que convivi com grandes orquidófilos do passado, como os saudosos João Vaz da Rocha, Heitor Gloeden, Joaquim Coppio Filho, José dias de Castro, Alfredo Francisco Martinelli, Augusto Fernandes Neves e muitos outros. Vou até parar de citar nomes, pois são muitos e não quero cometer injustiças com omissões, apesar de involuntárias.
As entrevistas da ACEO 06: Dr. Darly – preservando e ensinando a reproduzir orquídeas
Dr. Darly Machado, cirurgião dentista, orquidólogo e Presidente da Associação Brasileira de Orquidólogos – ABO, é o entrevistado da oitava edição do Boletim ACEO. Amante da natureza e profundo conhecedor das orquidáceas, ele fala de como cuidar das orquídeas, como reproduzi-las, e alerta para a necessidade de se proteger o habitat dessas plantas.
ACEO – “Melhor prevenir do que remediar”. O ditado se aplica também ao cultivo de orquídeas?
Darly Machado – Já escrevi uma matéria sobre este tema e saiu na Mundo das Orquídeas, em números passados recentes. Apenas troquei o termo remediar por envenenar. É o que vemos com freqüência no meio orquidófilo, quando as indicações para tratamento de pragas e doenças são feitas sem o cuidado de um diagnóstico correto, que inclua exames de laboratório de fitopatologia. Freqüentemente vejo as orquídeas de cultivo caseiro “doentes de remédios”, como diz Chamboursou. Aplica-se um inseticida quando o problema é com fungo ou então um fungicida quando deveria ser utilizado um bactericida e assim por diante. E as orquídeas vão sendo cada vez mais envenenadas.
As entrevistas da ACEO 05: Adarilda Benelli e as orquídeas – conhecer para preservar
Bióloga e pesquisadora do herbário da Universidade Federal de Mato Grosso, Adarilda Petini Benelli foi a entrevistada do Boletim ACEO nº 7, de 20/10/07. Ela conversou com Vera Coelho, tesoureira da ACEO, e falou da emoção de descobrir uma nova espécie de orquídea.
ACEO – O que a Biologia representa em sua vida?
Adarilda Benelli – A Biologia é uma ferramenta fundamental para compreender as formas de vida que existem sobre a Terra e com elas conviver em harmonia. É impossível preservar o que não se conhece. A Biologia, através das diversas sub-áreas em que se divide, propicia-nos conhecer as razões do que acontece conosco, desde as mais simples interações com os insetos e plantas até os mais complexos processos do nosso organismo, essa maravilhosa máquina de vida.
As entrevistas da ACEO 03: Carlos Gomes, um entusiasta da Laelia purpurata
Carlos Gomes, orquidófilo catarinense, é o “pai” de algumas das mais belas Laelia purpurata presentes em coleções de todo o País. Entrevistado por Vera Coelho, para a quinta edição do Boletim ACEO, de 19/08/07, ele fala de sua paixão pelas orquídeas e de como dedicou sua vida a essas plantas, reunindo uma coleção que já alcança cerca de 100 mil plantas.
ACEO – Quando e como surgiu a idéia de cultivar orquídeas?
Carlos Gomes – Desde pequeno, sempre colecionei coisas. Depois de adulto, tive uma fase de motociclista, em que quase virei mecânico de motos. Em seguida, foi a fase de fotógrafo, quando cheguei a ter um laboratório para fotos em preto e branco. Casado, comecei a cultivar plantas no apartamento e logo ele estava repleto de samambaias de várias espécies. Como sempre admirei as orquídeas, por conta de um parente orquidófilo, comecei a cultivar algumas, no apartamento. Numa exposição em Florianópolis, tive contato com a Associação local e comprei várias plantas. Comecei a estudar e pesquisar o assunto e a coleção foi crescendo. Logo fiz um orquidário na casa de meus pais e, em seguida, comecei a procurar uma casa para comprar, pois queria ter as plantas por perto. Comprei a casa e fiz outro orquidário, na verdade, o primeiro de uma série, pois a coleção não parou mais de crescer. Mesmo hoje, 25 anos depois, ainda está crescendo, agora com quase 100 mil plantas.
As entrevistas da ACEO 02: A primeira dica de Carlos Keller é estudar, estudar, estudar…
Na quarta edição do Boletim ACEO, de 21/07/07, Carlos G. Keller, paisagista e orquidófilo do Rio de Janeiro, oferece importantes dicas para quem desembarca na orquidofilia. No final, arremata suas palavras com um sábio aconselhamento: “nunca compre plantas coletadas na natureza”. Segue-se a íntegra da entrevista concedida a Vera Coelho:
ACEO – De ornitólogo, você passou a orquidófilo. São experiências bem diferentes, ambas gratificantes. Como foi isso?
Carlos Keller – Eu tinha desistido de criar aves. Primeiro, porque já residia no Rio de Janeiro em um apartamento e não mais na fazenda em Piras-sununga (SP) e, segundo, porque com a legislação confusa, a incompetência e a politicagem dos funcionários do Ibama, ficou difícil manter um criadouro de aves sem ter permanentes atritos com o órgão. Aquilo deixou de ser um prazer e passou a ser uma chateação. Além disso, manter no Rio um aviário a céu aberto, em algum terreno ou chácara, é querer ser invadido e roubado. Já as orquídeas são tão gratificantes quanto as aves, só que sem os problemas que acompanham aquele tipo de hobbie. Trabalhando como paisagista há cerca de 20 anos, eu já tinha uma boa base técnica que me permitiu assimilar o cultivo de orquidáceas com rapidez.