
A Associação Cearense de Orquidófilos (ACEO) acaba de enviar, ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro, um lote de Cattleya labiata Lindl. que deverá se integrar ao orquidário daquela instituição, a mais importante do país nessa área. As plantas foram doadas por membros da ACEO e por outros orquidófilos cearenses. Com esse aporte, os amantes da C. labiata se unem ao Jardim Botânico no esforço para preservar e difundir uma das mais belas orquídeas brasileiras, escolhida, no ano passado, como Flor Símbolo do Ceará.
O envio das plantas, de diversas variedades, foi discutido entre a diretoria da ACEO e a orquidóloga Delfina de Araújo, curadora das coleções de orquídeas (científica e expositiva) daquele Jardim Botânico. De acordo com as normas da entidade, o nome dos doadores passa a constar não apenas dos arquivos, mas também das etiquetas a serem fixadas em cada touceira.
O JARDIM – O Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, implantado em uma das mais belas e bem preservadas áreas verdes da cidade, oferece uma gigantesca mostra da diversidade da flora brasileira e estrangeira. Nele podem ser observadas cerca de 6.500 espécies (algumas ameaçadas de extinção, como a própria C. labiata), distribuídas por uma área de 54 hectares, ao ar livre, em estufas e viveiros. A instituição, criada em 1808, por decreto do príncipe-regente Dom João (futuro Dom João VI), é responsável pela coordenação da Lista de Espécies da Flora do Brasil e pela avaliação de risco de extinção destas espécies. Ali se abrigam, ainda, monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico, e a mais bela e completa biblioteca do País especializada em Botânica, com mais de 32.000 volumes. Também se encontra instalado no local o maior herbário do Brasil, que possui centenas de milhares de amostras desidratadas.
DELFINA – A pesquisadora Delfina de Araújo é uma amiga histórica da ACEO, tendo participado, como palestrante, do 3º FestOrquídeas de Fortaleza, realizado, em 2009, ocasião em que falou sobre Cattleyas brasileiras. Na ocasião, autografou o livro Orquídeas brasileiras, juntamente com seu esposo, o fotógrafo Sérgio Araújo. O casal retornaria em novembro de 2014 para participar do 8º FestOrquídeas, quando ambos ministraram palestras. O casal é responsável pelo premiadíssimo site Brazilian Orchids (https://www.delfinadearaujo.com/).

FLOR SÍMBOLO – A Lei nº 19.245, de 12 de maio de 2025, instituiu a Cattleya labiata como Flor Símbolo do Ceará. De autoria da Deputada Marta Gonçalves, a mesma Lei considera a C. labiata como de destacada relevância e interesse histórico e cultural do nosso Estado. Essa era uma antiga aspiração da ACEO, que, há anos, lutava para que tal acontecesse, entendendo que a legislação se constituiria em importante instrumento na luta pela salvaguarda de uma das mais belas orquídeas brasileiras e que se encontra severamente ameaçada de desaparecer do ambiente natural. Espécie eminentemente nordestina, ela ocorre, segundo a engenheira florestal Lou Menezes, nos estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, vegetando em altitudes de 500 a 1.000 metros acima do nível do mar. (Também há registros de sua presença em Sergipe.) Justifica-se, pois, o apodo que lhe foi dado de “Rainha do Nordeste”. No Ceará, ela é encontrada nas serras de Maranguape, Uruburetama e Meruoca onde, no passado, havia grandes estoques da espécie. Entretanto, torna-se cada vez mais difícil avistá-la na natureza.










