Cattleya labiata var. rubra ‘Iracema’ – (Cultivo e foto: Italo Gurgel)
22 de junho – No Dia do Orquidófilo, a ACEO deseja a seus associados e a todos os amantes das orquídeas mais uma jornada abençoada pela beleza e perfume dessas flores. Hoje é um dia dedicado aos que, em um mundo invadido pela ganância, a concorrência, o consumismo e as vaidades, se voltam para as coisas da natureza, onde reside o próprio futuro da humanidade. Hoje é um dia para se iniciar a construção de um mundo novo.
O boletim oficial da Associação Portuguesa de Orquidofilia (APO) está circulando com um rico conteúdo e, mais uma vez, excelente apresentação. Desta feita, “Lusorquídeas” traz, como matérias especiais, um texto da presidente da APO, Graziela Meister, sobre a Trichopilia; artigo de Jaime Vieira, “Reprodução das orquídeas”; entrevista com Francisco Diniz (“A paixão pelas orquídeas na Ilha Terceira”), feita por José Costa; estudo de Jorge Freixial sobre a Tillandsia ionantha; artigo de Paula Bacelar Nicolau intitulado “Conhece a flor das orquídeas?!”; e trabalho de Pedro Spínola com o título “Desafiando a norma – O gênero Dendrophylax“. Uma presença de Ultramar na revista é o texto do jornalista Italo Gurgel, da Associação Cearense de Orquidófilos, que pesquisou sobre “As orquídeas na Literatura brasileira”.
Enriquecem, ainda, este número da revista, as sessões tradicionais: “Ficha sintética de cultivo”, com informações completas sobre duas espécies brasileiras – o Catasetum macrocarpum e a Cattleya labiata; as notícias da Associação (“A APO em acção”), página que inclui, dentre outras, matéria sobre a 8ª Exposição/Venda Internacional de Orquídeas do Porto”, realizada entre 31 de março e 2 de abril; além do “Espaço do associado”.
A APO vive um momento importante de sua história, que é comentado por Graziela Meister na “Mensagem da presidente”. Diz ela: “A APO festeja este ano o seu 10º aniversário. Foram dez anos com uma longa viagem no mundo das orquídeas, desde o início, em 2007, com um pequeno grupo de amigos que se juntaram para falar sobre a sua planta favorita – a orquídea, até 2017, em que a Associação Portuguesa de Orquidofilia, cheia de energia, começa a dar passos fora de seu território”. Refere-se a Presidente às participações da APO em exposições na Galícia (Espanha) e, mais recentemente, na Polônia.
Aproxima-se a data de abertura de uma das mais belas e importantes exposições de orquídeas do Brasil. A 73ª Exposição Nacional de Orquídeas de Rio Claro (SP) realiza-se nos próximos dias 16, 17 e 18 de junho, como de costume, no Colégio Claretiano (Av. Santo Antônio Maria Claret, 1724), na acolhedora cidade de Rio Claro, a 170 km de São Paulo e a 85 km do Aeroporto de Viracopos, em Campinas.
O evento atrai expositores e visitantes de vários estados e se inclui no roteiro obrigatório de orquidófilos de todo o Brasil e países vizinhos. Desta feita, a exposição se insere na programação comemorativa dos 190 anos da cidade e prevê a abertura para a sexta-feira, dia 16, às 19:30h. No sábado, o horário de visitação vai das 8:00h às 22:00h e, no domingo, das 8:00h às 17:00h. A entrada é gratuita e, mais uma vez, grande número de orquidários comerciais estarão presentes.
Uma atração à parte será o 19º Salão da Cattleya walkeriana, a se realizar, também, entre os dias 16 e 18, no Orquidário Rioclarense (Cesar Wenzel), na Av. Saburo Akamine, 620. Além deste, estão instalados, em Rio Claro, os seguintes orquidários comerciais: Orquidário Humberto Epiphanio (Av. P-35, 88), Orquidário Orquiviva (Av. Três, 730), e Orquidário Jordão (Rua Dezoito, 4271).
Neste 5 de junho de 2017, Dia Mundial do Meio Ambiente, a Associação Cearense de Orquidófilos (ACEO) lembra alguns fatos que precisam alimentar nossas reflexões. São alertas para que a sociedade se mobilize mais – e com maior frequência – para denunciar os atos que, sucessivamente, atentam contra o ambiente natural e comprometem a própria habitabilidade do planeta:
Aproximadamente 20 mil quilômetros quadrados de vegetação nativa são desmatados, todo ano, em nosso País. Este processo acarreta inúmeros fatores negativos ao meio ambiente, entre eles, perda da biodiversidade, empobrecimento do solo, emissão de gás carbônico na atmosfera, alterações climáticas, erosão, entre outros.
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 80% da extração de madeira na Amazônia ocorrem de forma ilegal.
A Caatinga já teve sua vegetação reduzida pela metade, devido ao desmatamento: 500 mil hectares são devastados a cada ano.
A Mata Atlântica, que no passado ocupou 15% do território brasileiro, já perdeu 93% de sua cobertura vegetal.
No Cerrado, o desmatamento começou na década de 1950, por conta da expansão das fronteiras agrícolas e das políticas públicas para ocupação do Centro-Oeste brasileiro. A intensa urbanização e as atividades agropecuárias fizeram com que 67% do bioma já tenham sofrido mudanças.
A busca por um desenvolvimento econômico imediatista é o principal responsável pelos desmatamentos no Brasil, que tem relegado a segundo plano o desenvolvimento social e ecológico. Os problemas daí decorrentes, e que já são evidentes nos dias atuais – enchentes aqui, secas catastróficas ali, elevação da temperatura… – poderão atingir grandes proporções em um futuro não muito longínquo, caso não ocorra, de imediato, maior conscientização da sociedade e dos governantes com relação à destruição dos recursos naturais.
Todo orquidófilo deve ser um personagem atuante em defesa do meio ambiente. No Ceará, vamos dizer não ao desmatamento em nossas serras. Vamos denunciar as agressões socioambientais na faixa litorânea. Vamos procurar salvar o que resta da Caatinga. Para encerrar, um lembrete: membro da ACEO não pactua com o comércio (criminoso) de orquídeas retiradas do mato. Orquidófilo consciente não compra nem vende “orquídea do mato”.
O presidente Severino, o vice Clementino e outros membros da SORN diante do orquidário.
Em Natal (RN), o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA) inaugura, nesta quinta-feira, dia 1º de junho, o seu belo e moderno Orquidário, instalado em parceria com a Associação Orquidófila do Rio Grande do Norte (SORN). O novo equipamento fica na Av. Alexandrino de Alencar, 1701, bairro do Tirol, em Natal, próximo ao Bosque dos Namorados. Reúne variadas espécies de orquídeas, bromélias e outras plantas nativas e ficará aberto para visitação diariamente.
A inauguração faz parte das comemorações da Semana Estadual de Meio Ambiente, que este ano se inspira no tema “Estou com a Natureza”. A programação da Semana contempla, ainda, um concurso de fotografia amadora, palestras, oficinas de artes e reciclagem, apresentações culturais, passeio ciclístico, mutirão de limpeza, cursos de educação ambiental, plantio de mudas, feira de doação de plantas exóticas, trilhas, entre outros. Os eventos foram preparados para atrair estudantes, professores e a comunidade em geral. As atividades acontecerão no Parque das Dunas, Cajueiro de Pirangi, unidades de conservação e municípios do interior do Estado.
De acordo com o presidente da SORN, Severino Carvalho, após a inauguração do Orquidário, serão anunciados cursos de cultivo de orquídeas, jardinagem e bonsai. Já no dia 3 de junho, a Associação movimentará a praia de Jenipabu, onde haverá um curso de cultivo de orquídeas, ministrado por Gleide Brandão, e palestra do Prof. Clementino Câmara sobre cultivo com algas. A grande exposição anual da SORN está agendada para os dias 25, 26 e 27 de agosto, ocasião em que representações de todas as entidades orquidófilas do Nordeste deverão acorrer à cidade de Natal.
O Parque Rio Branco fica na Av. Pontes Vieira, no Tauape.
O Movimento Proparque realiza, no próximo dia 11 de junho, das 10:00h às 14:00h, no Parque Rio Branco, em Fortaleza, a Festa da Vida 2017. Todos estão sendo convidados para esse evento, que se realiza desde 1998, e que enriquece a Semana do Meio Ambiente, envolvendo entidades socioambientais do Ceará.
Uma bela área verde, que precisa ser preservada.
O objetivo do Movimento Proparque e seus parceiros é mobilizar as escolas, ONGs, associações e movimento sociais para que mostrem o que estão fazendo pela vida em qualquer atividade, não somente naquelas de caráter ambiental. Para participar, basta ter uma ação que promova a vida e querer divulgá-la. Com os próprios meios, as escolas e outras entidades podem levar exposições, teatro, show musical, recital de poesia, contação de estórias, performances, intervenções públicas, exibição de banners, cartazes e faixas. A organização do evento disponibiliza o som para anúncio das atividades.
Para mais detalhes, os interessados em participar podem entrar em contato com os organizadores pelo e-mail gritepelavida@gmail.com ou pelos telefones 98838.1203 (Luísa) e 99994.9025 (Ademir). Confira as atualizações do evento na página do Movimento Proparque no Facebook.
O cenário que se descortina é de um cartão postal nordestino.
Texto e fotos de Italo Gurgel (Jornalista, Diretor de Comunicação da ACEO)
A menos de 40 quilômetros de Fortaleza, a Prainha é um dos cartões postais da Região Metropolitana da capital cearense. É ali, bem no alto de um morro bafejado pela brisa do mar, que Adailson Rabelo cultiva suas orquídeas. São cerca de 500 vasos espalhados por diversos recantos do jardim. Dentre eles, sobressaem as Vandas, claramente as preferidas de Adailson, que está sempre fazendo novas aquisições. No total, 160 touceiras de vandáceas – entre pequenas, grandes e gigantescas – enfeitam os diferentes recantos daquele pequeno paraíso, que recentemente tive a felicidade de visitar, ao lado de minha esposa, Tereza.
Adailson familiarizou-se com as orquídeas já quando criança, pois os irmãos, com quem morava em Messejana, cultivavam labiatas e outras espécies. Um dia, ele começou a adquirir suas próprias plantas. Já adulto, mudou-se para São Paulo, onde foi morar na serra da Cantareira, cuja natureza exuberante o inspirou a retomar o hobby. E a coleção não parou mais de crescer.
De volta a Fortaleza, Adailson instalou-se na Prainha. Construiu uma bela casa, com piscina e um largo deck debruçado sobre a paisagem, e transformou o jardim em um bosque. Nasceu assim o cenário onde hoje se distribui um grande número de espécies, que disputam espaço com as touceiras de Vandas, cujo vigor está bem visível no emaranhado de longas e verdes raízes. Estas são adquiridas, principalmente, em um orquidário da Bahia, que regularmente envia novos lotes. Adailson também costuma ser presenteado por um amigo decorador, que lhe repassa as touceiras, quando desfaz o “décor” de algum evento enfeitado com orquídeas.
As plantas são viçosas e sadias, denotando um cuidadoso regime de regas e adubações. As Vandas, adubadas semanalmente, ele irriga até três vezes ao dia. Algumas delas repousam acima de um pequeno espelho d’água, que incrementa a umidade do ar. As demais plantas recebem jato d’água quando um rápido exame, com o dedo, revela que o substrato secou. Tais cuidados são muito importantes num local constantemente varrido pelos ventos, que, nos meses de agosto e setembro, chegam muito fortes e com baixíssima umidade. Destaque-se que o chão está coberto de folhas secas, às quais Adailson agrega casca de coco desfiada. Assim, se forma uma camada de material orgânico que tanto serve para adubar as árvores como para manter um microclima adequado às orquidáceas.
A adubação é simples: fertilizante foliar (NPK 20-20-20), ou então um desses adubos de diluição lenta, que é reposto a cada quatro meses. O uso de defensivo natural garante proteção e equilíbrio biológico. Por sua vez, o fungicida é aplicado, preventivamente, de dois em dois meses. Nada mais. O resultado são plantas extraordinariamente sadias, onde não se enxerga uma mera cochonilha. Um cuidado básico, revelado por Adailson, diz respeito à aplicação de defensivos em toda nova planta que se agrega ao orquidário. Assim, não entram pragas naquele ambiente.
No mais, acrescente-se uma necessária dose de amor às Vandas, às orquídeas de um modo geral, e à natureza, pois não são somente as orquidáceas que enfeitam o jardim praiano, mas também cactos, suculentas, bromélias, flor do deserto e muitas outras espécies de plantas ornamentais. Ao final, o que se observa é uma convivência harmoniosa entre as plantas… e entre as pessoas.
Segue-se pequena amostra das flores que enfeitam o paraíso praiano de Adailson, com destaque para as Vandas: