Cresce, no âmbito da Associação Cearense de Orquidófilos-ACEO, o interesse pelo cultivo da Cattleya labiata Lindl. Nada mais natural, pois esta espécie, uma das mais belas e perfumadas do Brasil, é a maior orquídea que ocorre no Estado e, no passado, teve grandes cultivadores em Fortaleza. O saudoso Waldir Lima Leite, ex-presidente da entidade, chegou a reunir 10 mil labiatas em sua coleção.
Durante anos, o Ceará foi um grande “fornecedor” de labiatas para todo o País. Alguns dos mais belos clones, que brilhavam nas exposições no Sul e Sudeste, saíram das serras de Uruburetama, Maranguape e Meruoca. A coleta, no entanto, foi predatória e, aliada ao desmatamento, levou a espécie a praticamente desaparecer de seus habitats naturais.
Antes de se estabelecerem controles severos para o comércio de espécies nativas no Brasil, grandes carregamentos saíam, periodicamente, de Fortaleza, na direção do Sul e Sudeste. Boa parte do material extraído da mata apodrecia no trajeto, ou mesmo antes de embarcar, devido às práticas irresponsáveis de armazenamento e transporte das plantas.
Hoje, a ACEO faz um combate permanente ao comércio de orquídeas subtraídas da natureza, enquanto estimula seus associados a adquirirem, apenas, plantas reproduzidas em laboratório. Em suas exposições, há severo controle para que não surjam “mateiros”, nem mesmo nas proximidades, tentando comercializar orquídeas “do mato”.
Por sua vez, entre alguns membros da Associação, existe a preocupação de fazer com que as labiatas façam o caminho de volta, de modo a repovoar os orquidários cearenses com plantas de boa qualidade, capazes de honrar uma tradição que vinha desaparecendo. Um deles, o diretor de Eventos, Rogério Sella, tem percorrido exposições e orquidários de São Paulo ao Rio Grande do Sul, garimpando algumas pérolas representativas da Rainha do Nordeste. O mesmo acontece com Michelle Canário, frequentadora assídua das exposições, e que também tem agregado ótimas plantas à sua coleção.
O jornalista Italo Gurgel, atual diretor de Comunicação da ACEO, vem procurando “cearencisar” suas labiatas, emprestando-lhes nomes inspirados nos romances e heroínas de José de Alencar, o grande romancista, fundador de uma literatura genuinamente nacional, e que nasceu no Sítio Alagadiço Novo. Hoje, é nesse local, um dos mais belos espaços culturais da cidade, que a ACEO realiza suas reuniões e exposições.
O que se segue é uma seleção de fotos de Cattleya labiata que floriram, recentemente, nas mãos de Rogério, Michele e Italo, e que atestam o nível de qualidade já alcançado.
Parabéns!
Belíssimo trabalho, amei! Todos estamos de Parabéns mas os “Labiateiros”, estes sim, precisamos tirar o chapéu!
Parabens! Creio que a outra palavra seria sensacional. Estamos emocionados pela beleza, cuidado e dedicação de vcs.
Somente assim poderemos resgatar uma “cearenciadade” condizente com a beleza desta orquidea.
Muito me orgulha participar da ACEO e um dia poder ter plantas com esta qualidade.
Muito OBRIGADO.